Saiba mais sobre Dom Carlos Duarte Costa, São Carlos do Brasil

Nasceu no Rio de Janeiro em 21 de julho de 1888. Seus pais foram João da Mata Francisco da Costa e Maria Carlota Duarte Silva Costa. Foi batizado no dia 03 de setembro do mesmo ano pelo Pe. Francisco Goulart, e crismado também em 1888 por Dom João Eberhard. Sua 1.ª Comunhão foi em 24 de julho de 1897; contava, então, com 9 anos de idade. Com seu tio, Dom Eduardo Duarte Silva, Bispo de Uberaba (MG), embarcou neste mesmo ano para Roma, a fim de estudar no Colégio Pio-Latino Americano, cursando, assim, o Seminário Menor. Regressou ao Brasil em 1905 e foi cursar o Seminário Maior em Uberaba, com os padres Agostinianos, ainda na igreja romana. Concluindo seus estudos, foi ali ordenado Presbítero (Padre) no dia 11 de abril de 1911 por seu tio Dom Eduardo Duarte Silva. Contava com 23 anos de idade. Celebrou ali mesmo sua primeira missa no dia 4 de maio de 1911.

 

Depois, retornou a Roma, a fim de cursar Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. De volta, foi morar no Rio de Janeiro, sua terra natal, sendo ali nomeado Cônego Capitular. Pela publicação de um catecismo destinado a crianças, foi premiado com o título de Monsenhor, e em seguida, Protonotário Apostólico. Também foi nomeado Secretário Geral da Arquidiocese do Rio de Janeiro, pelo Cardeal Joaquim Arcoverde. Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra foi o substituto do Cardeal Joaquim Arcoverde e nomeou Dom Carlos Duarte Costa Vigário-Geral. Em 04 de junho de 1924, foi eleito Bispo e designado para a Diocese de Botucatu, Estado de São Paulo, por Decreto de Pio XI. Em 08 de dezembro de 1924, foi sagrado Bispo na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro pelo Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, sendo seus co-sagrantes Dom Benedito Paulo Alves de Souza, Bispo Diocesano do Espírito Santo, e Dom Adalberto José Gonçalves, Bispo Diocesano de Ribeirão Preto. Contava com 36 anos de idade e 13 anos de sacerdócio. Assim que foi sagrado, tomou posse de sua Diocese, iniciando trabalho restaurador e de conscientização do povo e do clero. Construiu a Catedral, dedicada a Sant’Ana, o Seminário Diocesano, o Colégio dos Anjos e criou a Congregação das Missionárias Terezinhas.

 

Organizou o Batalhão de Caçadores de Botucatu, que participou da Revolução de 30, demonstrando seu profundo amor à liberdade e às instituições democráticas. Suas idéias de democracia e de liberdade, em conjunto com o desejo de ver uma maior integração entre as diversas religiões, e também pelo desejo de que houvesse respeito para com as demais outras Igrejas, de que houvesse vida familiar para os padres e de que fosse abolida a lei do celibato, e também por causa da imoralidade da confissão auricular (confissão no ouvido do padre), lhe valeram o ódio, a ira e a raiva dos irmãos no episcopado romano e sucessivas investidas para jogá-lo contra o papa.

Convicto na fé, obrigado pelas circunstâncias, mas respeitado por todos, vai a Roma para pessoalmente entrevistar-se com o papa (1936). Pouco se sabe dos seus entendimentos com Roma, mas, analisadas as circunstâncias, nota-se que a partir daquela data muita coisa já não mais seria favorável aos seus ideais. De volta ao Brasil, em princípios de 1937, renuncia as suas prerrogativas e a Diocese de Botucatu, e passa a ser Bispo titular de Maura (na Mauritânia, África, uma diocese extinta). Mesmo tendo sido proibido, Dom Carlos Duarte Costa continua seu trabalho pela causa que abraçara. No Rio de Janeiro registra, em julho de 1934, a Revista Mensageiro de Nossa Senhora Menina, veículo propagador de suas idéias. O desejo de ver o Brasil para os brasileiros e de ver uma Igreja humana, não arrogante nem prepotente, mais cristã e menos hierarquizada, fez mover ainda e com mais furor o ódio de seus opositores, iniciando então as perseguições. Dom Carlos Duarte Costa foi um profeta do socialismo cristão e desejava ver sua terra totalmente livre, onde valores humanos e nacionais fossem respeitados. Corajoso, analisava todos os problemas humanos, dos bens necessários, da degeneração da Igreja de Roma. Taxado de comunista – ele, que era contra o comunismo -, atravessou todos os perigos consciente de sua missão. A 06 de julho de 1944, por ordem do governo, a pedido do Núncio Apostólico, combinado com fascistas brasileiros, foi preso e levado para Belo Horizonte, lá ficando até 04 de setembro, quando foi solto a pedido da ABI – Associação Brasileira de Imprensa e da Embaixada do México, Estados Unidos da América e Inglaterra. A luta e as perseguições contra ele são reiniciadas. Felizmente, não mais havia a "santa" inquisição; caso contrário, teria sido condenado à fogueira como herege e seria mais uma das vítimas de um tribunal integrante da igreja que, ao longo dos séculos, solidificou toda sua força e fortuna também às custas do sangue inocente daqueles que condenou à morte. E tudo, obviamente, “em nome de Deus!?". A 2 de julho de 1945, esgotadas as tentativas de submissão a Roma, é excomungado por esta. Em 06 de julho de 1945, no Rio de Janeiro, o Bispo de Maura, cercado de amigos, fiéis e devotados brasileiros, acima de tudo cristãos, institui juridicamente a IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA BRASILEIRA – ICAB, completamente nacional. Foi proclamado o seu primeiro Bispo.

Depois, Dom Carlos Duarte Costa renuncia o título de Bispo de Maura, ficando, por isso, conhecido como o ex-Bispo de Maura. No dia 18 de agosto de 1945 fez publicar o Manifesto à Nação, um dos principais documentos da nova Igreja, dando, com isso, seu desligamento definitivo da Igreja Romana. Dom Carlos Duarte Costa orientou e dirigiu a Igreja dos brasileiros durante 16 anos. Subiu à morada dos Anjos no dia 26 de março de 1961, com a idade de 73 anos de uma vida dedicada ao Senhor, 50 anos de sacerdócio e 37 de episcopado. Sua vida, irrepreensível e autêntica, aliada às suas idéias e ações santas e cristãs, lhe valeram a hora dos altares, por decisão do Concílio Nacional de 06 de julho de 1970, sob o título de SÃO CARLOS DO BRASIL, com o qual é invocado. O imenso desejo de ver todos os seres reunidos no grande Rebanho de Cristo, amando-se e respeitando-se com Deus, e os esforços envidados para a concretização deste ideal, lhe valeram o justo e merecido título de Pai do Ecumenismo dado pela Igreja Nacional. Seus restos mortais repousam no Templo Nacional – Monumento da Penha -, justamente no local onde foi plantada a semente da Igreja Brasileira, no Rio de Janeiro (Rua do Couto, n.º 54).

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