O Celibato Obrigatório não é uma Instituição Divina

Não recordo-me um só dia em que não  pensasse ser padre.  Filosofia e Teologia na Igreja Católica Apostólica Romana, no Seminário Maior de Brasília, capital do Brasil. Primeira paróquia, Samambaia-DF, extrema pobreza.

Nosso Senhor foi mais carinhoso comigo, porque  no quarto mês, permitiu uma mini-tempestade e numa só rajada levou o barraco que dormia e celebrava. Agora sim, estava completamente dependente da Providência Divina e pude me formar pelas mãos de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, que é o nome da paróquia. Construímos um templo, 02 creches que, ainda hoje, abrigam mais de 1.500 crianças e a casa paroquial. Depois desta fase, o bispo romano pediu para atuar na região mais rica da Capital e ali, além de reconstruir a comunidade, Jesus me deu a graça de construir 02 templos em 03 anos. Fui convidado para uma Missão, na recém criada capital do Tocantins, Palmas, Portão da Amazônia. Outros 03 anos, pude servir ao meu Senhor. Lá se foram 10 anos de sacerdócio e não me arrependo um só dia! Estudante de Comunicação na Universidade local, construi mais uma comunidade e seu templo; o Cristo deu-me ainda, a oportunidade de edificar mais uma creche, chamada Colinho de Jesus!

 

A terrível situação moral atemorizava o Papa João Paulo II, com escândalos de pedofilia e a decadência do clero. A OPUS DEI selecionou 20 sacerdotes e fui escolhido para defender, através das mídias sociais a Igreja, representando a Língua Portuguesa. Concluí o mestrado em Comunicação Institucional e preparei-me para ser Porta-Voz. Para custear meus estudos, trabalhava em uma paróquia num vilarejo. Não compreendia a perseguição do pároco local, até que o flagrei em situação indecorosa com outro sacerdote, em plena Semana Santa. Sua orientação sexual não era um incômodo para mim, mas a perseguição que sofria por não me submeter àquelas hipocrisias e assédios foram terríveis.  Denunciei o escândalo ao Cardeal local, candidatíssimo a Papa. Sua resposta: “Se não está satisfeito, pode ir embora!” Sua conivência com o erro me arrasou.. Resolvi deixar o ministério, pois não aceitava a possibilidade de vida dupla, como deparei em tantos casos.

No Brasil, o arcebispo de Brasília na época, pediu-me uma carta afirmando que meu sacerdócio era um equívoco. Não tive coragem de declarar tal mentira: A história da minha vocação, aquele primeiro amor à Providência Divina e a Escola de Nossa Senhora das Graças junto aos pobres, eram algumas das irrefutáveis provas de minha vocação!  Quando lia e relia os textos bíblicos, jamais encontrava alguma proibição divina ao matrimônio. Ao contrário, São Paulo recomenda que o bispo seja  casado (I Tim 3). Portanto, o celibato não poderia ser uma instituição divina e sim, uma imposição daqueles líderes romanos, que convivi e legislavam “em causa própria''. Em meio à busca por trabalho civil e retorno à espiritualidade, Nosso Senhor fez-me reencontrar a líder da pastoral dos idosos de uma das comunidades. Partilhou-me o constrangimento que passava no processo de nulidade de seu Matrimônio. Meus olhos foram se abrindo: Jesus trouxe-me Elaine, meu tesouro e presente. Tentamos nos reinserir nas paróquias, mas foi impossível, devido ao preconceito. Convidei Elaine a passar numa Igreja, que por tanto tempo persegui: A Igreja Católica Apostólica Brasileira. Durante a Missa, Dom Lucas, que celebrava, desceu do altar e foi abraçar cada um dos fiéis no “Rito da Paz”. Jamais vi tanto acolhimento,  por tantas paróquias e em todo o mundo que andei. “Cai do cavalo”, como aconteceu com São Paulo. São 10 anos que participo da ICAB, onde, após celebrar, vou com outros padres e bispo à pizzaria, sem constrangimentos. Nada tenho contra a Igreja Romana, ao contrário, agradeço a formação que tive. Contudo, hoje sou padre, sou profissional em imobiliária e realizado, ao lado de um tesouro: Elaine, minha querida esposa!

Obrigado Jesus e sua Mãe Maria Santíssima.

Obrigado a Igreja Católica Apostólica Brasileira por ter me acolhido!

 

Pe José Ribamar Nunes Rocha

55 anos

Casado com Elaine Sarkis Rocha

Empresário no ramo Imobiliário

Vigário Auxiliar na Catedral de Brasília

Presidente do Conselho Presbiteral