O mistério do culto de Cristo e da Igreja
*Elder Henrique
"Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos
apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão
e as orações" (At 2,42)
A Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica com todas as suas parcelas provisória dispersas na terra, mas unidas em Cristo, consciente de ser a Arca da Aliança nova e definitiva de Deus com a humanidade, compreende a liturgia como a fonte inesgotável e abundante do amor desse mesmo Deus, revelado em Jesus Cristo, celebrado, anunciado e vivido.
Etimologicamente liturgia é uma palavra da língua grega que quer dizer: ação do povo, ação em favor do povo. Porém o seu sentido sofre algumas mudanças ao longo da história e principalmente no contexto em que é empregado, seja ele social ou religioso. No meio religioso, nos detendo ao cristianismo, encontramos uma diversidade de textos litúrgicos: Liturgia de São Tiago, de São Marcos, de São Cirilo de Jerusalém, de São Clemente, de São Basílio, de São Crisóstomo, Celta, Brasileira (adaptação elaborada por Dom Carlos Duarte da Costa ao Missal de Pio V) e tantas outras.
A liturgia cristã é, sem sombra de dúvidas, o momento culminante da vida da Igreja, povo de Deus, da atuação do Espírito Santo e da presença do Cristo glorioso. Na liturgia age o "Cristo todo" ("Christus Totus"), Cabeça e Corpo, que é a Igreja militante e triunfante.
O que a liturgia cristã faz é o memorial de Cristo e da nossa salvação, ou seja, torna presente, através da celebração, o acontecimento definitivo do Mistério Pascal. Através da celebração litúrgica, o crente é inserido nas realidades da sua salvação. Ela tem raízes absolutamente cristológicas. Cristo rompe com o ritualismo e torna a liturgia um "culto agradável a Deus", conforme preceitua o apóstolo Paulo em Romanos 12:1-2.
Creio que na maioria das Igrejas Cristãs, inclusive muitas das quais que passaram pelo processo histórico-religioso da "Reforma-contra-Reforma", a liturgia tem uma grande importância. Daí o grande esforço dispensado pelos liturgístas para devolvê-la ao povo. Possibilitando assim a participação inteligível e ativa no contexto da missa e de outros ofícios.
Celebrar a liturgia é realmente uma festa no seio da vida e no coração da humanidade. Saboreando intensamente todas as coisas através de um "serviço" encarnado e ecumênico, fundamentado pela ética e cidadania. A memória feita durante a eucaristia, por exemplo, nos leva a construção de um outro mundo possível, de uma outra Igreja possível, de outras relações de gênero e étnico-raciais, de outra economia e formas de produção, de outra educação para a vida e para a paz, de outra relação com a natureza e de outra vida possível para todo o planeta.
(*)Elder Henrique
formando.sdb@hotmail.com
